
Oulu, Finlândia – 7 de fevereido de 2026, 17h. Sob o frio intenso do inverno finlandês, dezenas de pessoas se reuniram em silêncio na praça Rotuaari para homenagear as muitas vidas iranianas perdidas nos últimos dias em confrontos com o próprio governo. O ato fez parte de uma série de manifestações internacionais que têm se multiplicado ao redor do mundo em apoio ao povo do Irã.
A vigília, marcada pela sobriedade e pela ausência de discursos, buscou dar visibilidade à luta contínua dos iranianos por direitos básicos: liberdade de expressão, preservação da sua cultura plural, autonomia religiosa e participação democrática real. Direitos que, segundo manifestantes e organizações internacionais, têm sido sistematicamente violados.
A população iraniana tem demonstrado crescente insatisfação com políticas arbitrárias e imposições religiosas que, para muitos, não representam a diversidade do país. O governo vigente, dizem, não reflete o povo que trabalha, cria, sonha e sustenta a nação.
Em Oulu velas acesas, cartazes e fotografias das vítimas compuseram um memorial silencioso, porém eloquente. Imagens que falaram por si – comentam Adriana e Jessica, colaboradoras do Finlandia Hoy. O gesto coletivo, ainda que breve, ecoou a dor de famílias que perderam filhos, pais e irmãos – muitos deles mortos enquanto protestavam desarmados por um governo que os representasse.
A mensagem deixada em Oulu foi clara: que os governos do mundo ouçam o clamos dos trabalhadores, estudantes, artistas, mães e pais iranianos. Que reconheçam a legitimidade de um povo que vai às ruas não para atacar, mas para existir.

Entrevistada Mina, iraniana moradora de Oulu:
Voz para os silenciados e contexto dos protestos
Mina afirma que quer ser a voz dos iranianos mortos, presos ou silenciados sob ameaçã de execução, tortura e violência sexual. Cita RahaBehloulipour, estudante de 23 anos, morta por um tiro em 8 de janeiro de 2026, pouco após escrever «Woman, Life, Freedom – forever». Relembra nomes simbólicos como Neda, Mahsa, Majid e Nika representando uma geração que perdeu o medo e reivindica o direito de decidir como viver.
Ela participa do memorial em Oulu em resposta ao massacre de 8 e 9 de janeiro de 2026, quando milhares foram mortos ou feridos – um dos episódios mais graves da história recente do Irã. Afirma que o povo atingiu um nível inédito de unidade e rejeição ao regime.
Situa os protestos como continuidade de décadas de resistência – de 1999, passando pelo movimento Verde, até as recentes manifestações nacionais – culminando no movimento «Mulher, Vida, Liberdade», descrito como um despertar social profundo. Declara que o clamor atual é por revolução, não reforma, e que, mesmo no exílio, sua voz permanece como forma de resistência.
Violação sistemática de direitos humanos e apelo internacional
Mina descreve janeiro de 2026 como um ponto de ruptura, quando o regime iraniano ultrapassou todos os limites de direitos humanos: apagão total da internet, tiros contra civis desarmados, ocultação de corpos, famílias obrigadas a pagar para recuperar os mortos, tortura de detidos, além de intimidação de médicos e da transformação de hospitais em instrumentos de repressão.
Ela afirma que silêncio ou diplomacia cautelosa equivalem à normalização da violência e que a comunidade internacional tem responsabilidade moral de agir. Defende medidas concretas:
- sanções direcionadas a indivíduos e instituições repressoras;
- fim de cooperações que financiem estruturas de repressão;
- apoio a defensores de direitos humanos, jornalistas e sociedade civil;
- investigações internacionais independentes;
- e aplificação das vozes iranianas em fóruns globais.
Mina reforça que o povo iraniano escolheu a resistência não violenta e que o mundo não pode permanecer observando. Cita Navid Afkari: «Eles estão procurando um pescoço para o laço.»
Mensagem ao povo iraniano e significado cultural da resistência
Mina envia uma mensagem direta aos jovens e manifestantes: «vocês não estão sozinhos». Diz que cada ato de resistência – até nos gestos cotidianos – está mudando a história, e que acompanhar o sofrimento à distância é doloroso, mas transforma a dor em determinação.
Explica que o regime tenta destruir a esperança e unidade, mas que a resposta deve ser escolher a vida. Destaca simbolismo de dançar em funerais como forma de resistência cultural e afirma que a luta não é apenas por sobrevivência, mas por dignidade, alegria e humanidade.
Conclui, Mina, que a revolução permanece viva porque o povo continua, mesmo após derramamento de sangue, e reforça que a coragem dos iranianos inspira o mundo – e que a liberdade está mais próxima do que parece.
