Teste de cidadania gera incerteza entre imigrantes na Finlândia

Foto de RDNE Stock project

A proposta do governo finlandês de criar um teste obrigatório de cidadania tem provocado forte apreensão entre especialistas em integração e organizações que trabalham com imigrantes. Embora o projeto de lei deva chegar ao Parlamento em abril e entrar em vigor no próximo ano, diversos pontos centrais permanecem indefinidos especialmente o conteúdo do exame e os materiais de estudo.

O teste faz parte de um pacote mais amplo de endurecimento das regras de cidadania, que já havia elevado os requisitos de residência e autossuficiência financeira. Agora, a nova etapa prevê uma prova computadorizada em finlandês ou sueco, com questões de múltipla escolha e verdadeiro ou falso, no entando, o governo ainda não apresentou um manual oficial ou guia padronizado, indicando apenas que as perguntas se baseariam em «materiais amplamente disponíveis», o que para Nancy Riikola Burton, porta-voz da Associação de Remigrantes da Finlândia à Yle News, torna se insuficiente e pouco transparente.

Outro ponto crítico é o custo, aponta Panu Puhakka, que trabalha para ONG Família Ry a Yle News. Além das taxas já existentes – como certificações linguísticas, traduções e o próprio pedido de cidadania – o novo exame deve acrescentar uma despesa significativa. Estimativas sugerem que o valor por candidato pode variar entre 235 e 470 euros, dependendo do número de participantes anuais. Para muitos imigrantes, especialmente os de baixa renda, isso pode tornar o processo inacessível.

Organizações que atuam com famílias multiculturais alertam ainda para um paradoxo: ao mesmo tempo, em que o governo pretende medir o nível de integração dos imigrantes, recursos destinados a programas de integração vêm sendo reduzidos. Bahar Mozaffari, especialista de integração sustentável, à Yle News também chamam atenção para o risco de discriminação indireta, já que o teste pode acabar avaliando mais o nível educacional, a familiaridade com provas padronizadas ou a alfabetização digital do que o conhecimento cívico real. Grupos com menor escolaridade, pessoas com deficiência, idosos e indivíduos com baixa proficiência linguística seriam os mais vulneráveis.

As mudanças sucessivas na Lei da Cidadania e o clima político mais rígido alimentam um sentimento crescente de insegurança entre imigrantes, que relatam dúvidas sobre seu lugar na sociedade finlandesa. Para muitos, o processo deixa de ser apenas um requisito administrativo e passa a simbolizar uma questão mais profunda: a sensação de que precisam provar continuamente se são bem-vindos no país.

Fuente: Yle