
A Finlândia avançou na revisão de sua legislação nuclear ao anunciar a retirada da proibição total de importação de armas nucleares, medida em vigor desde os anos 1980. O governo afirma que a mudança é necessária para adequar o país às exigências de defesa coletiva da OTAN, da qual a Finlândia se tornou membro recentemente.
O ministro da Defesa, Antti Häkkänen, declarou que o trânsito de armamentos nucleares será permitido apenas em situações diretamente ligadas à defesa militar, mantendo proibida qualquer outra forma de entrada. Ele ressaltou que a Finlândia não sediará armas nucleares nem participará de exercícios que envolvam sua presença no território nacional, citando o caráter sigiloso da política nuclear da OTAN ao evitar detalhes operacionais.
A iniciativa provocou forte reação da oposição. O Partido Social-Democrata (SDP), liderado por Antti Lindtman, à Yle News anunciou voto contrário e criticou o governo por conduzir o tema em um «círculo limitado», sem o debate parlamentar tradicional em questões de segurança nacional. Verdes e Aliança de Esquerda também rejeitaram a proposta, enquanto o Partido do Centro indicou apoio, garantindo maioria para sua aprovação.
Durante visita à Índia, o presidente Alexander Stubb afirmou que é do interesse da Finlândia remover obstáculos legais que impeçam sua plena participação na estrutura de defesa e dissuasão da OTAN. O governo argumenta que a revisão aproxima o país das legislações de outros Estados nórdicos, onde não há proibição absoluta de entrada de artefatos nucleares.
A tramitação deve ser concluída até o verão europeu, em meio a um cenário político no qual o SDP lidera as pesquisas para as próximas eleições.
Informações adicionais sobre «Europe’s nuclear umbrella» podem ser verificadas em FIIA, Finnish institute of international affairs.